Secretário de Cultura da prefeitura de Volta Redonda diz que pede demissão se houver atrasos de pagamentos a artistas de agora em diante





Entrevista - Moacir de Carvalho (Moa)

Ao anunciar a permanência de Moacir de Carvalho na Secretaria de Cultura, o prefeito Antônio Francisco Neto admitiu que vinha ouvindo muitas queixas quanto ao trabalho dele. Pouco antes do Carnaval, numa reunião com artistas da cidade no Estádio Raulino de Oliveira, Neto voltou a cobrar do secretário soluções para a queixa da classe. Desde então, Moa vem sofrendo um bombardeio de críticas nos sites dos jornais, inclusive do FOCO REGIONAL, dos que pedem a sua saída. Nesta entrevista, Moa diz que está sendo alvo da oposição ao governo que, com as mudanças feitas para diminuir a burocracia, pedirá demissão se a secretaria for responsável por algum atraso na remuneração de qualquer artista que prestar serviços à cidade. Veja a íntegra da entrevista.

FR – Antes de tomar posse o prefeito chegou a dizer publicamente que tinha ficado em dúvidas em manter o senhor no cargo. Depois, cobrou também diretamente do senhor, numa reunião no Raulino de Oliveira, uma postura diferente perante os artistas. O senhor se considera desgastado no cargo?

MOA – Não. Fui o quinto secretário a ser chamado. Esta dúvida de me colocar ou não, não entendo. E quem convocou a reunião (no Raulino) fui eu, o secretário de Cultura. O que ele (prefeito) cobrou foi sobre a burocracia nos pagamentos e pediu que tomássemos uma providência, porque o pagamento estava demorando (a ser feito), mas não só da Secretaria de Cultura, do governo num todo. O que fizemos? Mudamos a estrutura e fazemos os pagamentos agora em sete dias úteis.

FR - Mas os artistas reclamam que o senhor é arrogante e não fala com eles.

MOA – Quem me conhece sabe que sou uma pessoa fácil de lidar. Mas as pessoas precisam ser coerentes. Tem que marcar e saber se posso falar, porque às vezes o prefeito liga e a gente tem que sair daqui da Ilha São João para conversar com ele. As pessoas têm que ter paciência, mas quem me conhece sabe que sou de fácil acesso. Não só na secretaria, mas na rua mesmo, as pessoas falam comigo sobre projetos.

FR – Os artistas reclamam também que a prefeitura promete, mas os pagamentos não estão em dia. Afinal, estão ou não estão?

MOA – Todos os pagamentos estão em dia. O que estávamos devendo era a Lei de Incentivo à Cultura, os trinta projetos. Em abril, chamamos todo mundo e já estamos fazendo os projetos, porque a lei é para o projeto. O artista ainda não trabalhou pra gente. E quem trabalhar vai receber.

FR – A que, então, o senhor atribui as críticas, com pedidos para a sua saída?

MOA – A gente fica até chateado, porque quem está falando não tem nenhuma proposta cultural. "Eu quero que o Moa saia porque quero fazer isso, isso e isso". Mas não falam. O problema é mais político, do meu ponto de vista.

FR – Em que sentido?

MOA – É política de oposição ao governo Neto.

FR – As mudanças determinadas sanam os problemas?

MOA – O problema não é só pagamento. O que precisa é ter uma política de cultura, que é o que o prefeito está fazendo agora. O Neto liberou qualquer atividade cultural e com isso Volta Redonda vai respirar cultura. Os pagamentos já foram feitos. Houve atrasos, mas não foi a Secretaria de Cultura que atrasou. Foi a prefeitura e isso é o que as pessoas não estão entendendo. Parece que eu atrasei o pagamento. Eu não atraso pagamento, não é dinheiro meu (da secretaria). Quem atrasou foi a prefeitura de Volta Redonda. Agora, entrou o governo do Neto e mandou pagar todo mundo, então não tem atraso. Se a partir de agora tiver e se provar que a culpa é da Secretaria de Cultura, eu peço demissão. Por que a Secretaria de Cultura iria segurar pagamento?

FR – Há débito com algum artista que, por exemplo, não tenha sido localizado?

MOA – Se tiver alguém para receber que venha nos procurar. O que acontece é que as pessoas deixam telefone...ou então já recebeu, mas indicou conta-poupança, aí o dinheiro é devolvido e a secretaria não sabe. O pagamento é feito pela Secretaria de Fazenda. Agora temos também uma ouvidoria. Podem nos procurar e reclamar.

FR – Há reclamações da área cultural de que a secretaria não prestigia os artistas da cidade. O senhor concorda?

MOA – Isso é brincadeira. Quem fala isso não mora em Volta Redonda. É a única prefeitura que, desde que estamos aqui, há doze anos, prestigia o artista. Todos os eventos que vêm de fora, quem faz abertura é o artista local. Tem o Palco Sobre Rodas, com mais de trinta artistas trabalhando diariamente. Temos shows na Vila, com artistas locais. Temos serestas, com artistas locais. Falar que a secretaria não apoia o artista local é falta de consciência das pessoas. Isso você vê que é de cunho político mesmo.

FR – Depois de entrar no foco desta discussão toda, o senhor se sente ameaçado no cargo?

MOA – Não, tenho a consciência tranquila pelos já fizemos, estamos fazendo e vamos fazer muito mais. Quem está criticando não está mostrando o que quer fazer, o que há de errado.

FR – O senhor mesmo disse que está no cargo há 12 anos. Há quem defenda mudança para oxigenar a secretaria com novas ideias. O que o senhor pensa disso?

MOA – Acho o contrário, pela experiência que a gente tem. Estamos há 12 anos, mas as pessoas devem entender que a Secretaria de Cultura tem ideias e projetos, mas não depende só da secretaria. Dependemos também do prefeito aprovar, da situação financeira da prefeitura. Estamos empolgados porque tudo que temos pedido ao prefeito ele está fazendo. Temos 900 eventos aprovados para a área cultural, com artistas locais e dizem que não prestigiamos o artista de Volta Redonda?







4 ✎ Comentários :

Kérow More Ice disse...

Cara, não tinha lido essa matéria ainda e fiquei muito puta.
Ele é muito hipócrita!

Kérow More Ice disse...

Dizer que as críticas à gestão do Moa são uma questão de oposição política ao Neto é como dizer que fulano não gosta de cicrano porque tem inveja.

Que argumento burro! Será que em momento algum passa pela cabeça do nosso ilustre secretário de cultura que não basta deixar uma banda abrir um show ou trazer o Daniel de graça pra Ilha São João? Isso não é produzir cultura, isso é pão e circo!

Evento é vento!

Bárbara Chantal disse...

Mtu cara de pau, queria saber qual é a verba pros espetáculos do Palco Sobre Rodas.

Tablóide Fluminense disse...

Eu acho que falta sangue novo na prefeitura de VR, e não só na área cultural.
Não faço propaganda política, mas já estamos todos cheio dessas mesmas politicas de sempre...

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...