TABLÓIDE FLUMINENSE ENTREVISTA: GIOVANI MIGUEZ


Giovani Miguez seria apenas mais um blogueiro do Sul Fluminense se não fossem as polêmicas que o seu blog causa em Volta Redonda. As críticas constantes ao governo local incomodam o poder, mas para os seus leitores, Giovani é um grande aliado da população, que queixa-se da falta de transparência e imparcialidade dos meios de comunicação regionais. Além da grande audiência conseguida na internet, o publicitário de 32 anos, possui um curriculum invejável. É graduado em Gestão Pública com extensão em Jornalismo de Políticas Públicas e Sociais. E ainda possui vasta experiência na área de marketing, na política e até no ramo imobiliário.
Nesta entrevista você irá conhecer um pouco sobre os bastidores do polêmico blog e do homem por trás do link www.giovanimiguez.com






TF: O seu blog é um dos mais lidos atualmente no Sul Fluminense. De onde vem esse sucesso?



Giovani: Bem, apesar de um jornal local insistir na estapafúrdia tese do "fim dos blogs", o fato é que são os blogs - sobretudo o meu e o do Boechat (www.sergioboechat.blog.br) - que estão denunciando todas as mazelas de um (des)governo que não respeita a lei, persegue e maltrata servidores e coopta a imprensa e as lideranças. 
Talvez, por isso, pela independência que tenho e pela ousadia. Uma ousadia, aliás, que lamentavelmente falta à grande partes dos jornalistas, principalmente os que mantêm blogs, e preferem omitir-se para não se comprometer.
 Se um dia conseguirmos a divulgação da folha de RPA´s (recibos de pagamentos autônomos) da prefeitura de Volta Redonda, tenho convicção que muitas respostas surgirão.



TF: Quem são os leitores do seu blog? 



Giovani: Meu blog é lido geralmente por quem gosta de política. É claro que sou lido por quem gosta do prefeito e dos que estão no poder em Volta Redonda. Mas esses lêem por "ossos do ofício". Mas tenho uma diversidade de leitores muito interessantes. Sobretudo pelo fato de não falar só de política ou só de Volta Redonda. 



TF: Qual é a reação das pessoas quando te reconhecem na rua? 


Giovani: Acontece algumas vezes, a reação é sempre muito parecida, por que geralmente quem comenta é quem compartilha da mesma indignação que eu. Como blog é um canal de opinião, fico muito a vontade para dizer o que penso. 

O que acaba tendo competências. " Uma vez estava na fila de um banco e uma senhora perguntou meu nome. Eu disse e ela me deu um tapa e começou a me agredir. Dizia que eu era injusto com o prefeito." 
 Me deu uma crise de riso e aí a neta ou filha dela (não sei ao certo) a conteve. Eu pedi um minuto da atenção dela para explicar minha posição. Mostrei a ela que a política do Neto para a terceira idade era um engodo pois atendia uma pequena parcela dos idosos e que, se ela fosse sensível, poderia ir na periferia para ver a quantidade de idosos que amargam na fila dos postos, sem remédio, vivendo de salário mínimo e sem amparo do governo.

Essa política de viagens, academia e bloco de carnaval atende uma parcela privilegiada de aposentados com saúde, renda, plano de saúde e que moram na colina, monte castelo, sessenta e bairros de classe média. 
Essa não é a realidade da maioria dos idosos. Espero que a ficha dela tenha caído, por que essa política para a terceira idade é alienante.



TF: As críticas feitas por si a atual administração de Volta Redonda, já lhe custaram alguma ameaça, censura, ou retaliação?



Giovani: No início sofria retaliação do jornal local. O que, aliás, não era de se estranhar. Afinal, estava claro que o mesmo tinha relações comerciais muito estreitas. O jornal sempre respondia às criticas. Mas, com o tempo, eles perceberam que não valia a pena por que os ataques não me intimidariam.
Hoje, com a obrigação do prefeito em publicar empenhos, fica muito claro o "empenho" do jornal. Só em Setembro, mais R$ 170 mil foram destinados à esse jornal.



TF: A prefeitura de Volta Redonda deixa muito a desejar, isso é fato. Falando em soluções, você seria capaz de dizer de forma rápida qual seria a solução para a cidade?



Giovani: Falar em soluções é muito complicado quando não há transparência. Alguns "críticos sempre alegam que criticar é fácil, difícil é propor algo". De fato, não é fácil propor, mas criticar é um primeiro passo e não tem nada de fácil. Se tivesse, tinha mais gente fazendo. Mas a oposição (se é que podemos chamar assim) é omissa e sobretudo os movimentos sociais (associações de classe, de moradores e o próprio MEP - movimento ética na política ). Todos se comportam como se tudo estivesse bem. Sobre propostas: temos sugerido, por exemplo, uma reforma na saúde, com um choque de gestão e profunda qualidade nos gastos públicos. O problema em Volta Redonda e que o dinheiro público não é gasto com qualidade. Vide a quantidade de contratos com "dispensa de licitação", a folha de RPA e de contratos. Só RPA temos notícia que a folha chega a R$ 3 milhões. Mantemos um grupo que tem analisado as contas, levantado informações e, não temos dúvida, que em 2012 teremos um diagnóstico do caos que é Volta Redonda e teremos alguns caminho a apontar.

Em 2012, mostraremos a população que o governo atual tornou-se um cancer para a cidade. Uma doença que foi consumindo a cidade por dentro enquanto a casa era maqueada com obras superficiais. Vamos comparar esse governo sem projeto com um projeto para a cidade 



TF: Você trabalhava no ramo imobiliário. Quando foi que mudou para comunicação e marketing? 



Giovani: Foi natural. Em 2001 comecei a fazer faculdade de economia em Resende e tinha me formado em publicidade. Montei uma imobiliária e mantive uma pequena agência focada em marketing imobiliário. Quando vi já estava mais envolvido na comunicação, marketing e - sobretudo na política - e deixei em 2004 o ramo imobiliário. Não obstante, continuei vendendo imóveis até 2009, ano em que suspendi meu CRECI definitivamente. Hoje me dedico à consultoria e assessoria em Políticas Públicas e Sociais e tento estabelecer um selo editorial.



TF: Você criou um selo editorial com o objetivo de promover pequenos autores regionais. A idéia resultou?



Giovani: O "Selo Editorial Médio Paraíba" é uma realidade. Lançamos dois livros - "A Arte da Governabilidade", do Sérgio Boechat e "Alguma História, Alguma Política", do professor Antonio Marcelo Jackson. Temos mais cinco títulos em processo de edição. Não é fácil, sobretudo pelo custo de manter o projeto. Mas vamos devagar, para chegar longe. Uma ideia como essa precisa ser construída com paciência e persistência.



TF: Você pretende voltar a viver em Volta Redonda futuramente?



Giovani: Estou morando no Rio, por que sou mais uma vítima de uma falta de políticas públicas de desenvolvimento. Volta Redonda não tem trabalho para quem se qualifica. 
Mas mantenho minhas relações em Volta Redonda. Vou todos os fins de semana, minha residência, empresa e meus amigos estão aí, e, sou filiado a um partido político daí. 
Minha estada no Rio é apenas para sobrevivência profissional e por que aqui tenho mais estrutura para estudar.

1 ✎ Comentários :

Kika Monteiro disse...

Essa entrevista está demais. Deu pra entender melhor os motivos das postagens no blog do Giovani.

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