Para refletir


TURISTAS OU PEREGRINOS?



por Ricardo Nascimento

Quem nos ensina a viver? Existimos de duas formas: há os turistas e os peregrinos, segundo o psicólogo, nascido na França, mas desde criança noBrasil, Yves de La Taille, em palestra, no Programa Café Filosófico (TV Cultura).
Uma hora de palavras inteligentes. Uma explanação suave e repleta de verdades com interessantes colocações, para quem pensa que vive num mundo, cuja coexistência não nos faz parte de nossa passagem por aqui.

O turista, segundo ele, seria aquele que tem em mente destino certo. Não faz parada, pois segue de encontro ao local escolhido. Passeia para se divertir, descansar, tendo um sentido mais consumista. 

E o peregrino? Esse escolhe o lugar por conta de suas dúvidas. O sentido para o andante é existencial. Seu caminho é traçado conforme suas buscas. Interessante, é que tanto o peregrino como o turista eles possuem uma característica em comum: “A vida é curta demais para ser pequena”, a frase é do escritor e político britânico Benjamin Disraeli.

O peregrino detesta seguir de um ponto ao outro, sem paradas.
O turista odeia escalas.
O percurso é interessante para o peregrino, pois quer conhecer o todo, e não apenas passar vendo assim do alto o que os outros fazem, mas, sim o que ele vai fazer aprendendo com seus semelhantes.
O peregrino tem medo de se decepcionar com ele próprio. O turista com o lugar onde vai passar alguns dias.
O que o psicólogo francês quis dizer? É que talvez estejamos vivendo uma vida de fragmentos: bar, namoro, trabalho, sexo casual, ou seja, turistas de um mundo sem rumo. Um pouquinho de Roma, Paris, Rio, Israel, Vila Cruzeiro, Copacabana, Nova York ... São tantas as opções para os turistas, não?
Para Yves, vivemos a era da informação, fragmentos. O conhecimento é o todo. E o francês pergunta: “Será que a vida é uma sequência de eventos?”. Vivemos intensamente o hedonismo, uma flecha lançada ao encontro do prazer imediato, individual. A vida humana se destaca no deleite. Parecemos supersônicos. Volúpia?
O medo é ser excluído, segundo o psicólogo. Então somos todos turistas?
Hoje, segundo ele, casamos mais tarde para nos separamos mais cedo. Há o medo de se investir em relações, é o medo da dor.
Somos mutantes. E La Taille nos explica muito bem: “Hoje as mudanças são tão comuns que já aprendemos algo sabendo que vamos ter que esquecer pois novidades estão por vir, logo à frente”. Ou até já chegaram.
Turistas ou peregrinos?

A causa pode ser o chamado “tédio existencial”. Vida vazia que necessita ser preenchida. “Somos animais lúdicos, pois buscamos a diversão o tempo todo”, conta ele. De acordo com Yves, pode ser um sintoma do sofrer de tédio. Estamos evitando-o. Afinal, quem quer sofrer? Mas as alegrias não estão sendo passageiras? Rápidas como um relâmpago?
“Saber não fazer nada, o ócio, é difícil. Contemplar é coisa rara”, nos alerta o palestrante. 
Hoje, a indústria que mais fatura é a do divertimento. Por que será?
Um estudo realizado pela Organização Mundial da Saúde, A OMS, há duas décadas, vem recebido acompanhamento de destaque, três causas são as principais para a desistência da vida: a guerra, o crime e o suicídio. Porém, com um detalhe, o suicídio ocupa a escala superior a 50%, em relação às outras duas citadas.
Diz o psicólogo: “Aprendemos mais com base em respostas do que perguntas. Poderia ser o contrário”, sugere.
Bem, o mundo está aí. Nos resta determinar como vamos lidar com nossos medos. O Medo é uma arma. Resta saber se somos turistas ou peregrinos. Quanto a resposta, a do início do texto, que cada um tenha a sua. Afinal, as respostas podem estar nelas próprias.

E Vida que Segue


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Ricardo Nascimento
www.ricardonascimento.net
(21) 9997.7200 e/ou (24) 9822.1208
"Escrevo há muito tempo. Costumo dizer que, se ainda não aprendi, não foi por falta de prática", Moacir Scliar.






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