TABLÓIDE FLUMINENSE ENTREVISTA : MARCIONE OLIVEIRA



Existem pessoas que são tão empenhadas naquilo que acreditam, que com o tempo, suas ideologias se incorporam em sua própria personalidade. Como no caso do nosso entrevistado da vez, o Professor de Matemática Marcione Silva de Oliveira, muito conhecido por sempre participar nas organizações de inúmeros protestos e reivindicações na Região Sul fluminense. O jovem que sempre dá a cara pra bater por seus ideais, já é uma lenda no meio político, e, como ele nunca foge da luta, o também ator de 35 anos, aceitou o desafio de mostrar um pouco mais de si no Tablóide Fluminense. Saiba mais sobre Marcione, "o megafone mais alto do oeste".   

TF: Você se considera um apaixonado pela política?
Marcione: Todos que me conhecem sabem de minha paixão por política, sabem como eu luto, e sempre estou a frente seja das organizações, no partido, ou mesmo no dia a dia. Me considero sim um apaixonado pela política, por entender que só desta forma podemos mudar o mundo, se a cada dia mais pessoas se interessassem por política, certamente teríamos melhores parlamentares para nos representar.

TF: Como começou o seu interesse por política?
Marcione: Em 1988 teve uma greve de professores no município, onde os estudantes se juntaram aos professores e fizemos uma passeata para a prefeitura, lá conseguimos com que o prefeito Wanildo de Carvalho atendesse nossa reivindicação, depois fui convidado para as reuniões da Convergência Socialista e da UJS (União Jovem Socialista), optando pela segunda. Participei da UMES (União Municipal de Estudantes Secundaristas) por 3 mandatos consecutivos e fui presidente, também no colégio Themis. O que fez com que chegasse também a presidência do Grêmio do Colégio Getúlio Vargas, o maior colégio público de Volta Redonda, onde nunca parei de atuar na vida política.

TF: Qual foi o protesto mais inusitado do qual você participou?
Marcione: O protesto mais inusitado foi em Brasília, quando o Fernando Henrique ainda era Ministro. Meu grupo tinha uma estratégia bem definida, mas alguém deu o sinal antes e quando chegamos perto de entrar no Ministério, já tinham todas as forças armadas por perto. Eu fui um dos que conseguiu entrar, mas logo em seguida saímos, pois o número de pessoas era pequeno para invasão. Ali tive uma ideia de como era organizada a repressão no Regime Militar e tive muito mais convicção de que não podemos aceitar golpes militares nunca mais.

TF: Como é a  rotina de um Professor no Sul Fluminense?
Marcione: Eu sei da minha rotina como professor, que é preparar as aulas em casa e toda segunda, terça e sexta acordar as 4:45 para tomar banho e ir dar aulas, saio do colégio 12:30. Procuro sempre me qualificar para que eu possa ser um bom educador, pra isso sempre levo uma palavra de atenção aos meus alunos. Mostro que o mundo vai cobrar muito deles, por isso não costumo olhar os cadernos, mas cobro nas avaliações e se preciso for chamo os pais para conversarmos, para chegarmos juntos a uma conclusão sobre a melhor forma de ajudar aquele aluno. Eu me preocupo não apenas com as notas deles, mas com o motivo de suas notas estarem do jeito que estão. 
Para melhor me qualificar estou fazendo mestrado na UFF (Uiniversidade Federal Fluminense), como forma de adquirir mais conhecimento e assim poder lecionar cada dia melhor.

TF: Como cidadão, qual é a sua principal reclamação sobre a atual situação do país?
Marcione: Como cidadão, minha principal reclamação ainda é a educação, Professores mal remunerados, escolas sendo verdadeiros campos de guerra. A maioria das escolas não dão condições para que se faça um bom trabalho. Tenho como meta poder levar um projeto onde todas as escolas posam ter aulas de teatro e música, como forma de desenvolvimento do raciocínio. Quando nossa nação priorizar verdadeiramente a educação, aí sim poderemos dizer que estamos no caminho certo.

TF: Qual foi o momento mais difícil da tua vida?
Marcione: Olha, quando fui para faculdade tive muitos desafios, por um período andava a pé , fazia um percurso de duas horas pra ir e voltar. Quando meu pai saiu da CSN, passamos por um período bem difícil também, onde vimos nosso padrão de vida cair absurdamente. Mas nada disso se compara a duas mortes de entes queridos, minha avó em 1988 e agora recentemente meu pai, creio que esses foram os momentos mais difíceis da minha vida.

TF: O que você pensa sobre religião?
Marcione: Fui criado em um lar cristão, onde aprendi muito sobre moral, ética e amor ao próximo. Creio que se todas as pessoas pudessem aprender esses princípios da religião, poderíamos viver em um mundo muito mais justo, mais fraterno e humano. Mas sou uma pessoa que respeita muito os outros no que tange sua fé. Se eu quero que elas sigam o que eu acredito, primeiro tenho que ser exemplo, desta forma, não vou impor a ninguém o meu pensamento e sim mostrar o porquê minhas atitudes tomam esta direção. Sou cristão e não me envergonho do evangelho de cristo como meu alicerce de conduta.

TF: O que você pensa do cenário politico atual de Volta Redonda? 
Marcione: Sobre o cenário político atual, vejo que nossa cidade está estagnada, com uma velha política que não se renova, com peças já bem definidas no tabuleiro. Onde a fiel da balança é a terceira idade, por enquanto, pois os benefícios pra ela são mascarados. Precisamos de uma nova administração, para poder fazer com que a cidade volte a produzir, volte crescer.
"Precisamos resgatar a cidadania que foi perdida nos últimos anos, hoje não vemos mais com a mesma força as manifestações operárias e estudantis que sempre marcaram nossa cidade. Ficamos na frente do computador reclamando e não nos dispomos a ir as ruas. Assim o poder público controla de forma mesquinha todo o sistema de comunicação, os presidentes de associações de moradores e outros setores da sociedade civil organizada." 

TF: O que Volta Redonda precisa para ser uma cidade melhor? 
Marcione: Volta Redonda precisa de uma nova forma de governar para todos e não para um grupo preocupado apenas na eleição. Precisamos de mais empregos, precisamos atrair empresas no trajeto da rodovia do contorno que finalmente será inaugurada, Precisamos melhorar a educação, a saúde e deixar com que os artistas de rua e outros tenham condições de trabalho, desta forma farão uma cidade melhor. 

TF: O que você acha do governo Neto? 
Marcione: Eu o considero o atual prefeito, um ótimo síndico. Foi muito bom para a cidade no seu início, quando foi eleito exclusivamente por causa do Baltazar. Ali participei da campanha, dei sugestões e briguei junto com toda a população. Conseguimos reverter o imposto de renda da CSN para a cidade em um acordo obscuro que o Wanildo tinha feito, fazendo com que a arrecadação da cidade aumentasse e finalmente a cidade teria mais caixa para fazer as grandes obras que foram necessárias. Mas o Neto traiu todos os que o ajudaram e que não faziam parte de seu grupinho fechado, fez isso com o Baltazar e mais recente com o Gotardo.
Pra mim, ele está muito tempo no poder e não tem mais a capacidade de analisar o que a cidade realmente precisa. 

TF: Você será candidadato nesta eleição?
Marcione: Estou no PSB desde 2003, partido que me encontrei, que tem um programa para a cidade, para o estado e para o Brasil.  Fui do diretório estadual do partido e quando passamos por um período ruim com a atual administração dentro do partido eu me afastei um pouco. Mas agora que eles saíram e o partido retomou a condição de um partido do povo, me convidaram a ser candidato a vereador pela minha trajetória política. Eu aceitei ser pré candidato por entender que hoje estou preparado para este desafio, sou formado, estou fazendo mestrado, trabalhando e fazendo aquilo que gosto, por isso a vida política é um complemento do que eu sempre acreditei e lutei, para que eu possa trabalhar para que se tornem realidade. 

TF: Deixe um recado para os leitores do Tablóide Fluminense que conheceram um pouco mais de você nesta estrevista:
Marcione: Bem, meu recado é que mesmo que hoje olhemos com pessimismo o que acontece em nossa cidade, ainda há esperança em nossa mãos. Conheçam os projetos, a vida e a conduta de cada um que te pedir o voto. Precisamos de renovação, pois os que aí estão não são capazes de ir contra a atual administração. Temos projetos notados em Volta Redonda que beneficiam a população, como a meia entrada para estudantes que não é cumprida, temos o passe livre que foi aprovado e o atual prefeito entrou na justiça contra, temos vários artistas em nossa cidade com talento que não são contemplados pela cultura da nossa cidade e descemos de uma das melhores cidades em educação para uma das piores, depois que esta atual administração entrou. Em breve meu blog terá muito mais coisas para que possam conhecer melhor meus projetos e meu perfil no facebook está aberto a todos que queiram fazer qualquer tipo de pergunta ou comentário.
Me coloco a disposição para qualquer esclarecimento, pois amo esta cidade e quero verdadeiramente falar que "VR é nossa". 


1 ✎ Comentários :

Danielle Procópio disse...

Parabéns pela entrevista Marcione.Volta Redonda precisa de pessoas como você comprometidas com a política.

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