O Paraguai sob ameaça de Golpe

            


            Fernando Armindo Lugo de Méndez foi eleito em 2008 presidente do Paraguai, depois de mais de três décadas de hegemonia do Partido Colorado, de direita. Conhecido como o bispo dos pobres por seu trabalho junto às camadas desfavorecidas, Lugo voltou a condição de leigo para exercer ao mandato, principalmente por pressão da Igreja que vê com maus olhos o clero que se mete em política, e também pelas exigências constitucionais.  
            Sua vitória eleitoral se deu por conta de um alto desgaste do Partido Colorado, e por um apelo nacional por novos rumos no país. Lugo, entretanto, apresentou a nação um programa moderado, que incluía em sua base política o Partido Liberal, de centro. A maior dificuldade do governo Lugo foi a incapacidade de conseguir uma maioria parlamentar e até mesmo social. Se nos parlamentos prevalecia um domínio conservador, na sociedade civil imperava a desconfiança dos movimentos sociais, que não apoiavam as articulações que o governo fazia e criticava a lentidão das reformas, principalmente a agrária.
            Sem grande apoio dos movimentos populares, Fernando Lugo teve que administrar negociando com sua base moderada no congresso. A fragilidade do apoio social expôs o presidente a uma série de chantagens e ameaças de golpe, que chegou inclusive a envolver sua vida pessoal.
            Na última sexta-feira, 15 de Junho, um confronto entre policiais e camponeses que deixou mais de 10 mortos, trouxe ao país uma crise que pode custar o mandato presidencial. O Partido Liberal abandonou seu apoio ao governo, e os parlamentares em ampla maioria já arquitetam um plano de impeachment do presidente num prazo máximo de 72 horas.
            A visível conspiração direitista acordou os movimentos populares, que vêem com temor a possibilidade de uma desestabilização institucional da democracia no país, que vinha dando demonstração de fortalecimento nos últimos anos, assim como sua economia.
            A Situação atual é a seguinte: Fernando Lugo tem a seu favor o apoio da opinião pública, dos movimentos populares e de parte significativa dos países do continente, inclusive do Brasil. Pesa contra ele a minoria no congresso e a indecisão das forças armadas.
            O desfecho de um possível impedimento presidencial pode ter conseqüências trágicas, inclusive com confrontos violentos e um clima de desestabilização da já frágil democracia paraguaia.
            As próximas horas revelarão não só o futuro de um povo, mas principalmente os rumos democráticos de um continente já marcado por intervenções golpistas de nossas elites.



* Historiador, Pós Graduado em História Contemporânea

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