PAIVA E O SACRIFICIO DO FUNCIONALISMO


O Paiva bateu na cangalha: “Nosso governo privilegiou a cidade e sacrificou o funcionalismo”. O povo ficou assim bolado. Um senhor ao meu lado duvidou: “você ta vendo o que eu tô vendo?” Respondi: "Desde o outro carnaval!" E o Paiva sem nenhum remorso explicou-se burocraticamente: “ Pedimos desculpas ao distintíssimo público – Estamos em Obras”. E passou ao próximo item. 

Houve um tempo em que não se confessava um crime desses nem no pau-de-arara; agora, a gente encontra quem o faz e o confessa até com uma ponta de orgulho. Paiva, em vez de pedir perdão, pediu foi mais um mandato para o prefeito. É grave! Gravíssimo! Foi bem no debate da UFF. Tinha muita gente lá. Havia até uns três ou quatro que aplaudiram o Paiva como quem faz jus ao seu salário. E a coisa se espalhou. 

No outro dia, os funcionários da prefeitura estavam na praça. “Cadê o PCSS que a Justiça mandou pagar, Neto?” E as pessoas que passavam diziam “sim, senhor, heim?!” Foi uma pena o Padre Juarez Sampaio não estar lá, naquele dia. Uma pena mesmo... logo ele o porta estandarte do Bloco Resgate da Paz faltar numa hora dessas... Também não estava lá o nosso generoso bispo, que deu Nota 7 para a Saúde Pública em Volta Redonda. E nem estava tampouco o campeoníssimo da ética, o Zezinho. Todo mundo sabe que o Neto ouve muito essa turma e que essa turma ouve muitíssimo o Neto. Seriam uma boa ponte para o entendimento. Uma excelente ponte. 

A bem da verdade, eu vi foi o Franch. Acho que ele apareceu lá por descuido. Ele fora, talvez, ao jornaleiro comprar uma inofensiva revista de palavras cruzadas e, na volta, lá estava aquela gente toda, atrapalhando o seu caminho. Vi que ele abaixou os olhos, tampou os ouvidos e apertou o passo. Até tropeçou na calçada, coitado. E, no entanto, não foi só ele quem fugiu. O sindicato também fugiu. O que são os tempos modernos... Quem o botara a correr, pasmem!, fora um convite. A professora Renata tivera a lucidez de propor a união dos três sindicatos – CEP, SINPRO e Sindicato do Funcionalismo. Queria-os juntos num só movimento. – juntos. Nada de ficar cada um puxando brasa para sua sardinha. Ataíde, Presidente do Sindicato do Funcionalismo, tomou-lhe das mãos o microfone, encerrou a reunião e deu a reunião por encerrada. Mas ela não desistiu. Procurou-o depois. Conversaram e os sindicatos se uniram depois e foram juntos de novo para a praça. O Padre Juarez Sampaio e o Zezinho da Ética continuaram sumidos. Do Franch nunca mais soube nada.


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