A derrota da Política em Volta Redonda



Segundo o pensador grego Aristóteles, a política é a invenção humana que busca o bem comum da coletividade, acima dos interesses particulares. Nos tempos modernos, a busca por este bem comum repousa no trabalho articulado entre os vários atores sociais, que atuam no espaço público fazendo da Política instrumento de construção de consensos. A mediação de toda esta articulação se dá por uma série de instituições que regularizam o jogo da democracia política.

Em Volta Redonda assistimos o esvaziamento da política, pensada no sentido aristotélico e enriquecida pelo aperfeiçoamento do jogo democrático. O principal sintoma deste vazio está no que eu chamaria de “Judicialização da política”, ou seja, a transferência da ação coletiva dos espaços tradicionais da política (partidos, movimentos sociais, parlamento etc) para o campo exclusivo dos tribunais. Isso se percebe fácil quando vemos as excessivas tentativas de destituir o governo Neto usando de recursos jurídicos. As oposições, carentes de um projeto de cidade, recusaram a política e a batalha das idéias para se concentrar unicamente na via judicial para chegar ao poder. Como o Poder Judiciário é o que menos sofre controle social, e suas decisões são tomadas por pequenas elites letradas e sem necessidade de satisfação ao povo, a escolha desta via guarda riscos autoritários, principalmente por desprezar o campo da maioria popular e se atentar exclusivamente na burocracia jurídica.

É óbvio que a Justiça é ponto fundamental na sustentação de um regime democrático, mas no momento em que ela deixa de ser guardiã das regras do jogo para adentrar-se na luta pelo poder, vivemos neste momento a substituição dos caminhos coletivos da política para outros bem mais individualizados. Entregamos as decisões que deveriam vir do povo em suas diversidades, nas mãos de uma minoria com amplo poder de decisão.

As oposições confessam sua incapacidade de formulação de alternativas políticas, e recorrem a micros golpes jurídicos, com o fim de, quando não derrubar o governo, impedir sua governabilidade. Tudo isto é terrível para a democracia.
É bem verdade que as oposições não são homogêneas. Parte dela é fisiológica, e se concentra basicamente na Câmara de Vereadores, envolta num agrupamento híbrido de partidos e parlamentares com o interesse pragmático comum de enfraquecer o governo. Outra parte oposicionista vem de setores da esquerda, que agem principalmente no campo sindical. Ainda que esta última consiga manter relativa coerência ideológica, nutrem simpatia com os artifícios da oposição. Volta Redonda sofre com a ausência de uma esquerda democrática forte, que fosse capaz de organizar a luta política em alinhamento com o espírito republicano do Estado de direito. Infelizmente, as esquerdas da cidade do aço se revezam entre um transformismo governista e um sectarismo raivoso.

O fato é que os últimos anos testemunharam um enfraquecimento de nossa sociedade civil, assim como o empobrecimento brutal da batalha das idéias. Faz se urgente que o governo recupere a capacidade de diálogo com os variados setores da sociedade, e que faça imediatamente reformas, capazes de alinhar o governo com as novas formas de sociabilidade que nascem da sociedade em rede. A sociedade civil também deve se responsabilizar pela busca do resgate da política como mecanismo privilegiado na construção de vontades coletivas. Caso o contrário, seguiremos com a triste constatação de que em Volta Redonda a política foi derrotada.

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