O PESO DO PODER - A HISTÓRIA DE CHICO FILHO - CAPÍTULO I



Ainda era cedo quando chegou ao trabalho, por volta das dez e meia. Devido ao seu excesso de peso e sua saúde debilitada, era doloroso acordar cedo, como é para todos, mas nestes últimos dias custava ainda mais. Apesar de ter o maior cargo político da cidade, e de ter um belo exército de puxa-sacos, tinha mais do que nunca, fingir que trabalha. Afinal, sua popularidade nunca esteve tão baixa.

Sua rejeição alcançava um patamar nunca antes conhecido por seu partido, era xingado nas ruas, ouvia queixas nas repartições públicas e nas redes sociais era atacado o tempo todo, acusado e achincalhado.

Chico Filho ainda estava no topo mas já não era mais o mesmo. Apesar de ter vencido a última eleição, nada garantia que continuaria no cargo. Eram muitos processos e acusações acumulados em todos este anos de poder absoluto, dos quais sabia não ser o único culpado, na verdade era apenas a ponta do icebergue, a pessoa que deu a cara pra bater. 

Não que escapasse de qualquer culpa, pois apesar de ser um grande banana, de todos, foi o que mais enriqueceu. Sua fortuna dava pra essa e mais outra vida, caso reencarnasse.
Mas ele, não acreditava em vida após a morte nem em nada dessas coisas, já estava cansado de se fingir de católico para agradar o eleitorado, quando na verdade sempre foi ateu. No fundo ele estava cansado de fingir...

Conhecia cada um de seus inimigos, mas ultimamente surgia um novo todos os dias, todo o tipo de ataque. Já tinha virado uma rotina e seu partido já havia criado uma blindagem a sua volta. Era quase impossível chegar a ele, fosse em seu gabinete, fosse em qualquer lugar. As ligações para sua sala eram filtradas e ele só atendia aos aliados mais importantes e mais próximos.




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Naquela manhã, seu telefone tocou e ele mal sabia que aquela chamada mudaria sua vida para sempre, que aquele poderia ser o começo de uma grande confusão, talvez o começo do fim, ou talvez o fim trágico de toda aquela trajetória política. 

Sem grandes preocupações, atendeu a chamada, e reconheceu logo aquela  voz feminina,  rouca e aveludada. Era ela, Karla Mattos, a jornalista mais conhecida da cidade, uma de suas grandes apoiadoras e também responsável por sua boa imagem.
Enquanto a ouvia e trocava informações banais, travestidas de assuntos importantes, ele analisava o que ouvia e se questionava: "Onde ela quer chegar com essa conversa?"

No fundo ele nunca confiou nela, apesar de vir de uma das famílias mais ricas e importantes da cidade, sentia que existia algum segredo naquela moça. E não tinha nada a ver com a sexualidade dela, pois, por mais que não demonstrasse, todos sabiam que sua preferência era por outras mulheres.

Não era isso, ele e qualquer um que a conhecesse bem, saberiam que o que ela escondia em seu olhar era uma ambição sem limites, louca, uma ambição capaz de destruir qualquer um que passasse em seu caminho. Mais cedo ou mais tarde aquela ambição toda transbordaria e talvez ele sentisse que o copo já estava cheio demais,

Ao fim de cinco minutos de conversa , ele não acreditou e pediu que ela repetisse, pois não era possível que chegara o momento se sua ambição transbordar. 

E ela repetiu: "Eu sei o segredo que pode destruir a sua vida política para sempre."

Ainda sem acreditar, ele desligou o telefone e olhou pela janela, era mais uma manifestação de Professores.



Continua ...(em breve um link para o segundo capítulo) 

Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.

1 ✎ Comentários :

Anônimo disse...

esses personagens parecem alguem q eu conheço,

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